- Aonde a gente tá indo?
- Pra lá. Não é o combinado?
- Eu não combinei nada.
- Combinaram pra gente.
- Eu não tô sabendo, só tô indo...
- É o que você sempre pensa.
- Sempre o grande controlador, né?!
- Não acredito em você.
- Eu que não acredito em você.
- Essa eterna mania de achar que tudo tem um porquê...
- Claro que tem. Inclusive essa conversa.
- Lá vem você de novo.
- Shhhhh... Quieto. Ela vem vindo.
- Depressa... É a vez de quem?
- Par...
- Impar...
E assim, num golpe de sorte, o Acaso e o Destino disputam cada segundo da sua vida.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
sábado, dezembro 29, 2007
A quê?
Última sexta do ano. Todos repetiam.
É a última. A última sexta! É hoje.
Última sexta do ano. Um brinde!
E se fosse a última sexta de todas?
Já era a segunda última sexta do ano que ela passava imobilizada. Ficara assim desde quando um membro muito importante fora arrancado sem aviso ou anestesia. Teria ido a mão direita? A esquerda? As pernas? Os braços? Todos eles? Qual seria o próximo?
E assim ela não conseguia acreditar nas palavras mil vezes repetidas: Feliz 2008!
Se não acreditava no futuro, não conseguia avaliar os 365 dias e as muitas sextas anteriores que haviam ficado pra trás. Tudo ficara tão pequeno, tão pouco. Lembrava que até suas lágrimas bobas, vinda de arranhões tão bobos quanto, sentiam vergonha e iam embora ao olhar para o membro amputado.
Mas era preciso sorrir. Era a última sexta do ano.
E ela puxou mais um brinde.
É a última. A última sexta! É hoje.
Última sexta do ano. Um brinde!
E se fosse a última sexta de todas?
Já era a segunda última sexta do ano que ela passava imobilizada. Ficara assim desde quando um membro muito importante fora arrancado sem aviso ou anestesia. Teria ido a mão direita? A esquerda? As pernas? Os braços? Todos eles? Qual seria o próximo?
E assim ela não conseguia acreditar nas palavras mil vezes repetidas: Feliz 2008!
Se não acreditava no futuro, não conseguia avaliar os 365 dias e as muitas sextas anteriores que haviam ficado pra trás. Tudo ficara tão pequeno, tão pouco. Lembrava que até suas lágrimas bobas, vinda de arranhões tão bobos quanto, sentiam vergonha e iam embora ao olhar para o membro amputado.
Mas era preciso sorrir. Era a última sexta do ano.
E ela puxou mais um brinde.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Feras de estimação
Todos temos bichos dentro de nós. E gostamos de criá-los, alimentá-los, levá-los pra passear. Tem aqueles que ficam lá, presos na gaiola, e os que estão sempre soltos. Dóceis ou vorazes, alguns são mais perigosos que os outros. De tão reais, ganham nomes, sobrenomes, codinomes. São presos à coleira e trancados no porão, com a chave enferrujada sempre sob o velho tapete. Aqueles bichos que você alimenta de vez em quando e está sempre estudando a possibilidade de soltar. Mas como de costume, eles permanecem e de tanto serem nutridos com todo tipo de besteira do mundo, crescem anêmicos, porém pesados demais pra você carregar. É hora de abrir porões e gaiolas e procurar outros refúgios de estimação. Fins de ano são ótimos pra isso.
terça-feira, dezembro 18, 2007
Amiga secreta
- Nossa, você não sabe o que ganhei de amigo secreto...
- O quê?
- Uma bíblia.
- Sério? Mas de sacanagem, né?!
- Não. Evangélica mesmo.
- Ahhahahahaha Claro que é evangélica. To perguntando se foi de brincadeira, de curtição..
- Ahhhhhhhhhh .. hahahahahha....Não. Foi o presente mesmo. Com telefone da igreja e tudo.
- Não acredito que você achou que eu tava perguntando se era uma bíblia kama sutra.
- hahahhah... Achei...
- Em pleno amigo secreto natalino?
- Ia ser menos sacanagem que me darem uma bíblia, né?!
- O quê?
- Uma bíblia.
- Sério? Mas de sacanagem, né?!
- Não. Evangélica mesmo.
- Ahhahahahaha Claro que é evangélica. To perguntando se foi de brincadeira, de curtição..
- Ahhhhhhhhhh .. hahahahahha....Não. Foi o presente mesmo. Com telefone da igreja e tudo.
- Não acredito que você achou que eu tava perguntando se era uma bíblia kama sutra.
- hahahhah... Achei...
- Em pleno amigo secreto natalino?
- Ia ser menos sacanagem que me darem uma bíblia, né?!
domingo, dezembro 09, 2007
O agora
Ela estava passando, toda graciosa.
Ele fez que não viu, todo cabreiro.
Ela olhou para ele e sorriu.
Ele retribuiu um riso tímido.
Ela puxou papo.
Ele quis logo sair dali.
Mas ela era sedutora e ele ficou mais um pouquinho.
Trocaram olhares e rápido ela se despediu, só estava de passagem.
Ele, sem pensar, de uma só vez a agarrou.
Ela manteve o nome de solteira: Oportunidade.
O dele era Medo, mas passou a se chamar Coragem.
Ele fez que não viu, todo cabreiro.
Ela olhou para ele e sorriu.
Ele retribuiu um riso tímido.
Ela puxou papo.
Ele quis logo sair dali.
Mas ela era sedutora e ele ficou mais um pouquinho.
Trocaram olhares e rápido ela se despediu, só estava de passagem.
Ele, sem pensar, de uma só vez a agarrou.
Ela manteve o nome de solteira: Oportunidade.
O dele era Medo, mas passou a se chamar Coragem.
terça-feira, dezembro 04, 2007
Quem carta consente.
- Não me fala coisa ruim não tá?!
- Tudo bem. Corta.
- Mesmo que você veja aí que serei atropelada quando sair daqui, ou que alguém vai morrer, não me fale tá? Me dá uma agonia ficar sabendo essas coisas.
- Ok. Você já ficou sabendo alguma vez?
- Não, nunca. Mas imagino que dê uma agonia. Só quero que você me fale as coisas boas tá.
- O bom é relativo.
- Tá, mas só quero saber o bom unânime.
- ok.
- Não me venha também com “um moreno misterioso que vai aparecer na sua vida”. Um saco isso.
- ...
- Não... aparecer um moreno até seria legal. Mas essas coisas vagas é que são um saco, sabe?!
- Sei.
- Se eu quisesse coisa vaga me contentaria com o horóscopo do jornal.
- Já trabalhei nessa seção como freelancer. Mas isso era nos bons tempos dos jornais. Hoje eles encomendam 3 previsões para cada signo e depois vão alternando.
- Mesmo??? Genteeeee, tô bege.
- Pra você ver... Uma cambada de filhos da puta.
- Puta que pariu. E olha que sempre leio o meu. Por isso, nunca dá certo. Ah não viu, puta que pariu!
- Corta de novo.
- Esse esmalte seu é diferente. Ajuda aí na vibração?
- Que vibração?
- Sei lá. As energias aí da sua mão.
- A mão não tem nada a ver.
- Ah é?!A parada toda tá na interpretação, né. Comprei umas revistinhas uma época, até comecei a estudar, mas achei um saco.
- É coisa de dom. Não dá pra aprender. Não dá pra fugir dele.
- Você já tentou fugir?
- Já. Mas o dom é mais forte que eu.
- Massa. Mas eu não acredito muito nessas coisas. Mas e aí, o que você ta vendo?... Que cara é essa?
- Desculpa. Não posso te falar nada.
- COMO ASSIM?
- Você me pediu pra eu não te falar coisa ruim.
- Mas era pra você omitir. Não era pra me dizer que tinha coisa ruim. ERA SÓ PRA OMITIR.
- Ah... desculpa.
- AGORA CONTA! AI MEU DEUS!!!!!!!!!
- Tudo bem. Corta.
- Mesmo que você veja aí que serei atropelada quando sair daqui, ou que alguém vai morrer, não me fale tá? Me dá uma agonia ficar sabendo essas coisas.
- Ok. Você já ficou sabendo alguma vez?
- Não, nunca. Mas imagino que dê uma agonia. Só quero que você me fale as coisas boas tá.
- O bom é relativo.
- Tá, mas só quero saber o bom unânime.
- ok.
- Não me venha também com “um moreno misterioso que vai aparecer na sua vida”. Um saco isso.
- ...
- Não... aparecer um moreno até seria legal. Mas essas coisas vagas é que são um saco, sabe?!
- Sei.
- Se eu quisesse coisa vaga me contentaria com o horóscopo do jornal.
- Já trabalhei nessa seção como freelancer. Mas isso era nos bons tempos dos jornais. Hoje eles encomendam 3 previsões para cada signo e depois vão alternando.
- Mesmo??? Genteeeee, tô bege.
- Pra você ver... Uma cambada de filhos da puta.
- Puta que pariu. E olha que sempre leio o meu. Por isso, nunca dá certo. Ah não viu, puta que pariu!
- Corta de novo.
- Esse esmalte seu é diferente. Ajuda aí na vibração?
- Que vibração?
- Sei lá. As energias aí da sua mão.
- A mão não tem nada a ver.
- Ah é?!A parada toda tá na interpretação, né. Comprei umas revistinhas uma época, até comecei a estudar, mas achei um saco.
- É coisa de dom. Não dá pra aprender. Não dá pra fugir dele.
- Você já tentou fugir?
- Já. Mas o dom é mais forte que eu.
- Massa. Mas eu não acredito muito nessas coisas. Mas e aí, o que você ta vendo?... Que cara é essa?
- Desculpa. Não posso te falar nada.
- COMO ASSIM?
- Você me pediu pra eu não te falar coisa ruim.
- Mas era pra você omitir. Não era pra me dizer que tinha coisa ruim. ERA SÓ PRA OMITIR.
- Ah... desculpa.
- AGORA CONTA! AI MEU DEUS!!!!!!!!!
segunda-feira, novembro 12, 2007
PAGÚ
Sem se perguntar como, você oferece seus fins de semana, suas noites, suas horas livres. E de repente está lá, ocupando seus pensamentos e o espaço que você nem sabia que tinha. Invade seu sono, faz você comer demais ou de menos, engordar e emagrecer. Coloca um brilho diferente nos seus olhos, faz acordar aqueles sonhos que foram adormecendo no caminho. Pauta seus assuntos, seus risos, seus medos e coragens. Intensa e ciumenta, a paixão é assim: quando você menos espera, já assinou todos os papéis.
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