- Quero o que dá câncer... Impotência não dá né?!
- Ah não... Não quero esse do feto não, ela me dá uma coisa ruim...
- Nossa, essa foto é terrível, coitado... Duvido que isso foi cigarro.
- Troca pra mim. Morro de nojo de rato.. argh
- Não quero o que tem rato não. Rato dá doença. Leptospirose, né?!
- Ai que bom! Esse menino tossindo com a fumaça é de boa. Foda-se o moleque.
- Me dá o da impotência. Aqui, com o machão, nem 50 carteiras de cigarro guentam.
- Me dá o light. Se é pra fumar, melhor que seja o que emagrece.
- Não tem do Paraguai não? Então me dá o mais barato. Tudo mata do mesmo jeito.
- Me dá aquele que mata devagar. To sem pressa pra morrer. E pode ser qualquer figura. Viado é que fica escolhendo.
E, finalmente, chega o mulato quase sabido:
- Dê-me um pacote de fumo e um maço de papelzinho. Você tem fogo?
segunda-feira, maio 14, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
Letra A
Abandou-se e tudo abandonou.
Abdicou.
Abandidou-se.
Abjurou.
Abarcou gente estranha.
Abaronado se aberrou.
Abespinhou-se quando não devia.
Acurvou-se qual um abanico velho.
De tão afleimado em seu ádito, afincou-se nessa idéia.
Mas a agrura da alma não o deixou.
Novamente ele se abandou
Novo hábito antigo: ler dicionário nas horas vagas. Ainda estou na letra A.
Abdicou.
Abandidou-se.
Abjurou.
Abarcou gente estranha.
Abaronado se aberrou.
Abespinhou-se quando não devia.
Acurvou-se qual um abanico velho.
De tão afleimado em seu ádito, afincou-se nessa idéia.
Mas a agrura da alma não o deixou.
Novamente ele se abandou
Novo hábito antigo: ler dicionário nas horas vagas. Ainda estou na letra A.
terça-feira, abril 10, 2007
Dado jogado caindo no 6, olha mais perto e vê que é um 3.
Olha o relógio, o ponteiro dispara.
O peito diz: pára.
O sangue corre, as veias tão véias já não dão vazão.
O relógio se adianta, o corpo diz não.
Rotina rente a retina.
Menina dos olhos, para abri-lo os fechou.
Olheiras e olheiros por toda parte.
Um tapinha nas costas. Um prego no peito.
No meio do caminho um pedro, em paulo, um bastião.
E o corrimão virou pedra, no caminho um tropeção.
Trim trim.... tum tum... tum tum...
Na multidão, uma voz estranha canta sua música de ouvir só.
Os tímpanos pulsam forte e as cordas vocais enforcam.
Um cronômetro estampado na testa. Não perder um segundo. E é só que resta.
On. Off. Start. Reset. Resista.
Dado jogado. Preencher o branco e a vida talvez.
Escrever sem rascunho. Sentir vida nos punhos.
Jogar o dado outra vez.
Olha o relógio, o ponteiro dispara.
O peito diz: pára.
O sangue corre, as veias tão véias já não dão vazão.
O relógio se adianta, o corpo diz não.
Rotina rente a retina.
Menina dos olhos, para abri-lo os fechou.
Olheiras e olheiros por toda parte.
Um tapinha nas costas. Um prego no peito.
No meio do caminho um pedro, em paulo, um bastião.
E o corrimão virou pedra, no caminho um tropeção.
Trim trim.... tum tum... tum tum...
Na multidão, uma voz estranha canta sua música de ouvir só.
Os tímpanos pulsam forte e as cordas vocais enforcam.
Um cronômetro estampado na testa. Não perder um segundo. E é só que resta.
On. Off. Start. Reset. Resista.
Dado jogado. Preencher o branco e a vida talvez.
Escrever sem rascunho. Sentir vida nos punhos.
Jogar o dado outra vez.
sexta-feira, março 23, 2007
segunda-feira, março 12, 2007
Foi-se embora de Pasárgada
Ela lembrou-se do dia em que ganhou aquele anel de plástico embrulhado numa caixinha de vidro, tão bonitinha, e do tanto que teve medo de quebrá-la. E lembrou do outro, tão galanteador, sussurrando em seu ouvido, falando do hoje e prometendo o amanhã. Sem se dar mais nenhum prazo, decidiu fazer as malas e partir. A vontade de experimentar o novo havia falado mais alto. E sem saber se era o certo ou se o errado existia, ela partiu, pela porta da sala e à luz do dia.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Romance
Com a discrição do seu tamanho 8, arialzinho básico, ele chegou de mansinho. Começou tranqüilo, como em toda história, mas a cada linha foi ficando mais complicado. Já não nos entendíamos e as reticências vieram seguidas por uma pausa. As exclamações tornaram-se interrogações cada vez mais inquiridoras.
E eu que havia estudado direitinho a gramática, que não deixava nenhum pingo fora do “i” e que achava que entendia sua semântica, estava, depois de tantas páginas, sem nenhuma linha de raciocínio. Ele ainda usou alguns argumentos. Tentou me convencer com citações, latim, negrito e até itálico. Mas era tarde demais. Eu já tinha colocado um ponto final naquela história.
Jurei nunca mais cair nas letras de outro. Mas ainda assim, não saía de casa sem polir meus óculos de leitura. O tempo passou, breve como uma vírgula errada separando-me do meu verbo intransitivo. E, sem querer, meus olhos se depararam com um novo arranjo de letras. Eu já conhecia sua fama de conquistador. Sabia que ele era daqueles que arrastavam multidões aos pés de suas páginas. E como conquistador que era, dispensou o prefácio e me lançou um travessão atrevido, acompanhado por uma letra maiúscula cheia de charme no alto do seu tamanho 14. Nada do costumeiro arial black, trajava um modelito moderno, cheio de serifas. E itou-me logo com uma interrogação. Antes que minha exclamação viesse, meus olhos já corriam por ele e já havíamos passado da introdução. Foi uma história breve e acabou sem grandes surpresas. Mas eu gostei, e parti logo em busca do volume dois.
Ah livros! Que bom que vocês não são todos iguais.
E eu que havia estudado direitinho a gramática, que não deixava nenhum pingo fora do “i” e que achava que entendia sua semântica, estava, depois de tantas páginas, sem nenhuma linha de raciocínio. Ele ainda usou alguns argumentos. Tentou me convencer com citações, latim, negrito e até itálico. Mas era tarde demais. Eu já tinha colocado um ponto final naquela história.
Jurei nunca mais cair nas letras de outro. Mas ainda assim, não saía de casa sem polir meus óculos de leitura. O tempo passou, breve como uma vírgula errada separando-me do meu verbo intransitivo. E, sem querer, meus olhos se depararam com um novo arranjo de letras. Eu já conhecia sua fama de conquistador. Sabia que ele era daqueles que arrastavam multidões aos pés de suas páginas. E como conquistador que era, dispensou o prefácio e me lançou um travessão atrevido, acompanhado por uma letra maiúscula cheia de charme no alto do seu tamanho 14. Nada do costumeiro arial black, trajava um modelito moderno, cheio de serifas. E itou-me logo com uma interrogação. Antes que minha exclamação viesse, meus olhos já corriam por ele e já havíamos passado da introdução. Foi uma história breve e acabou sem grandes surpresas. Mas eu gostei, e parti logo em busca do volume dois.
Ah livros! Que bom que vocês não são todos iguais.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Artigo 118, CLT
Clínica do Trabalho. Sala de exame clínico admissional.
- Tem filhos?
- Não.
- Fuma?
- Não.
- Bebe excessivamente?
- Não.
- Usa drogas?
- Não.
-Tem problemas na pele?
- Não.
-Tem problemas respiratórios?
- Não.
-Tem que tratar os dentes?
- Não.
- Tem problema cardiáco?
- Não.
- Nem paixão?
- Não!
- Ah... Mas da paixão ninguém escapa.
- Sou excessivamente saudável.
- Tem doenças venéreas?
- Não.
- Aids, gonorréia, siflis?
- Não!
- Tem filhos?
- Não.
- Tem problemas com obesidade?
- ... Não.
- Ainda não, né?!
- ...
- Tem alguma doença grave?
- Não.
-Sofre convulsões?
- Não.
- Toma remédio controlado?
- Não.
- Tem algum problema mental?
- ... ... .... Não...
(X) apta ( ) inapta ( ) inapta temporariamente
- Doutor, alguém aqui responde sim a estas perguntas?
- ... Não.
.
Clínica do Trabalho. Sala de exame clínico admissional.
- Tem filhos?
- Não.
- Fuma?
- Não.
- Bebe excessivamente?
- Não.
- Usa drogas?
- Não.
-Tem problemas na pele?
- Não.
-Tem problemas respiratórios?
- Não.
-Tem que tratar os dentes?
- Não.
- Tem problema cardiáco?
- Não.
- Nem paixão?
- Não!
- Ah... Mas da paixão ninguém escapa.
- Sou excessivamente saudável.
- Tem doenças venéreas?
- Não.
- Aids, gonorréia, siflis?
- Não!
- Tem filhos?
- Não.
- Tem problemas com obesidade?
- ... Não.
- Ainda não, né?!
- ...
- Tem alguma doença grave?
- Não.
-Sofre convulsões?
- Não.
- Toma remédio controlado?
- Não.
- Tem algum problema mental?
- ... ... .... Não...
(X) apta ( ) inapta ( ) inapta temporariamente
- Doutor, alguém aqui responde sim a estas perguntas?
- ... Não.
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