domingo, fevereiro 17, 2008
Bolsa de valores
Vamos?! Estou esperando... O que vocês estão fazendo aí dentro? Quero vocês aqui fora, agora! Desculpa, não sou a chefe de vocês, eu sei. É que essa coisa toda ainda me confunde. Vamos, por favor; tenho tanta coisa pra fazer. Já sei, é ciúme, né?! Não precisam ficar com ciúmes não. Eu amo vocês mil vezes mais. Não, não estou fazendo contas de novo. É só uma maneira de falar... Eu não mudei minha “maneira de falar”. Eu sempre disse isso. Culpa minha? Fiz tudo acreditando em vocês. E agora estão me deixando. Olha só, estou aos prantos e não consigo derramar uma lágrima. Não podem ir embora assim, sem mais nem menos. Não... Isso não é sinal de nada, que coisa... Olha aí! Vocês me sumindo de novo. Eu preciso de vocês. Não, eu pensei nisso antes sim. Coloquei vocês cuidadosamente na bolsa, vocês lembram que eu até chorei numa proporção incalculável. Já disse que é maneira de falar. Juros que não vou repetir. Eu não disse juros, disse juro, prometo... Nossa, vocês estão muito literais. Estamos perdendo muito tempo, e vocês sabem: “times is...”. Desculpa. Tudo bem, eu deixei vocês muito tempo aí, mas é que foi tanta correria... Não, eu não gosto mais deles... Os números são frios, denotativos. No dia que acharem que não estão rendendo comigo, simplesmente me deixam, vazia. Vocês não, são diferentes, é com vocês que eu conto quando eu mais preciso... Não, não sejam literais de novo! Olha aí, estou chorando... Estou chorando!! Obrigada... Não tenho palavras para agradecer... Quer dizer, agora eu tenho! Mas depois eu falo, estamos atrasadas.
sábado, fevereiro 09, 2008
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Coisa de quem?
- Aonde a gente tá indo?
- Pra lá. Não é o combinado?
- Eu não combinei nada.
- Combinaram pra gente.
- Eu não tô sabendo, só tô indo...
- É o que você sempre pensa.
- Sempre o grande controlador, né?!
- Não acredito em você.
- Eu que não acredito em você.
- Essa eterna mania de achar que tudo tem um porquê...
- Claro que tem. Inclusive essa conversa.
- Lá vem você de novo.
- Shhhhh... Quieto. Ela vem vindo.
- Depressa... É a vez de quem?
- Par...
- Impar...
E assim, num golpe de sorte, o Acaso e o Destino disputam cada segundo da sua vida.
- Pra lá. Não é o combinado?
- Eu não combinei nada.
- Combinaram pra gente.
- Eu não tô sabendo, só tô indo...
- É o que você sempre pensa.
- Sempre o grande controlador, né?!
- Não acredito em você.
- Eu que não acredito em você.
- Essa eterna mania de achar que tudo tem um porquê...
- Claro que tem. Inclusive essa conversa.
- Lá vem você de novo.
- Shhhhh... Quieto. Ela vem vindo.
- Depressa... É a vez de quem?
- Par...
- Impar...
E assim, num golpe de sorte, o Acaso e o Destino disputam cada segundo da sua vida.
sábado, dezembro 29, 2007
A quê?
Última sexta do ano. Todos repetiam.
É a última. A última sexta! É hoje.
Última sexta do ano. Um brinde!
E se fosse a última sexta de todas?
Já era a segunda última sexta do ano que ela passava imobilizada. Ficara assim desde quando um membro muito importante fora arrancado sem aviso ou anestesia. Teria ido a mão direita? A esquerda? As pernas? Os braços? Todos eles? Qual seria o próximo?
E assim ela não conseguia acreditar nas palavras mil vezes repetidas: Feliz 2008!
Se não acreditava no futuro, não conseguia avaliar os 365 dias e as muitas sextas anteriores que haviam ficado pra trás. Tudo ficara tão pequeno, tão pouco. Lembrava que até suas lágrimas bobas, vinda de arranhões tão bobos quanto, sentiam vergonha e iam embora ao olhar para o membro amputado.
Mas era preciso sorrir. Era a última sexta do ano.
E ela puxou mais um brinde.
É a última. A última sexta! É hoje.
Última sexta do ano. Um brinde!
E se fosse a última sexta de todas?
Já era a segunda última sexta do ano que ela passava imobilizada. Ficara assim desde quando um membro muito importante fora arrancado sem aviso ou anestesia. Teria ido a mão direita? A esquerda? As pernas? Os braços? Todos eles? Qual seria o próximo?
E assim ela não conseguia acreditar nas palavras mil vezes repetidas: Feliz 2008!
Se não acreditava no futuro, não conseguia avaliar os 365 dias e as muitas sextas anteriores que haviam ficado pra trás. Tudo ficara tão pequeno, tão pouco. Lembrava que até suas lágrimas bobas, vinda de arranhões tão bobos quanto, sentiam vergonha e iam embora ao olhar para o membro amputado.
Mas era preciso sorrir. Era a última sexta do ano.
E ela puxou mais um brinde.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Feras de estimação
Todos temos bichos dentro de nós. E gostamos de criá-los, alimentá-los, levá-los pra passear. Tem aqueles que ficam lá, presos na gaiola, e os que estão sempre soltos. Dóceis ou vorazes, alguns são mais perigosos que os outros. De tão reais, ganham nomes, sobrenomes, codinomes. São presos à coleira e trancados no porão, com a chave enferrujada sempre sob o velho tapete. Aqueles bichos que você alimenta de vez em quando e está sempre estudando a possibilidade de soltar. Mas como de costume, eles permanecem e de tanto serem nutridos com todo tipo de besteira do mundo, crescem anêmicos, porém pesados demais pra você carregar. É hora de abrir porões e gaiolas e procurar outros refúgios de estimação. Fins de ano são ótimos pra isso.
terça-feira, dezembro 18, 2007
Amiga secreta
- Nossa, você não sabe o que ganhei de amigo secreto...
- O quê?
- Uma bíblia.
- Sério? Mas de sacanagem, né?!
- Não. Evangélica mesmo.
- Ahhahahahaha Claro que é evangélica. To perguntando se foi de brincadeira, de curtição..
- Ahhhhhhhhhh .. hahahahahha....Não. Foi o presente mesmo. Com telefone da igreja e tudo.
- Não acredito que você achou que eu tava perguntando se era uma bíblia kama sutra.
- hahahhah... Achei...
- Em pleno amigo secreto natalino?
- Ia ser menos sacanagem que me darem uma bíblia, né?!
- O quê?
- Uma bíblia.
- Sério? Mas de sacanagem, né?!
- Não. Evangélica mesmo.
- Ahhahahahaha Claro que é evangélica. To perguntando se foi de brincadeira, de curtição..
- Ahhhhhhhhhh .. hahahahahha....Não. Foi o presente mesmo. Com telefone da igreja e tudo.
- Não acredito que você achou que eu tava perguntando se era uma bíblia kama sutra.
- hahahhah... Achei...
- Em pleno amigo secreto natalino?
- Ia ser menos sacanagem que me darem uma bíblia, né?!
domingo, dezembro 09, 2007
O agora
Ela estava passando, toda graciosa.
Ele fez que não viu, todo cabreiro.
Ela olhou para ele e sorriu.
Ele retribuiu um riso tímido.
Ela puxou papo.
Ele quis logo sair dali.
Mas ela era sedutora e ele ficou mais um pouquinho.
Trocaram olhares e rápido ela se despediu, só estava de passagem.
Ele, sem pensar, de uma só vez a agarrou.
Ela manteve o nome de solteira: Oportunidade.
O dele era Medo, mas passou a se chamar Coragem.
Ele fez que não viu, todo cabreiro.
Ela olhou para ele e sorriu.
Ele retribuiu um riso tímido.
Ela puxou papo.
Ele quis logo sair dali.
Mas ela era sedutora e ele ficou mais um pouquinho.
Trocaram olhares e rápido ela se despediu, só estava de passagem.
Ele, sem pensar, de uma só vez a agarrou.
Ela manteve o nome de solteira: Oportunidade.
O dele era Medo, mas passou a se chamar Coragem.
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