quarta-feira, agosto 06, 2008

Lenço furado

Quantas mãos são preciso pra segurar uma lágrima?

sopro no coração

O vento derruba as fotos da minha parede.
É o tempo que passa.

domingo, agosto 03, 2008

Cuspa!

Choro engolido desce muito mais salgado.
E arde as feridas por onde passa.
O gosto do choro engolido é sempre outro.
Por mais que o tempero seja o mesmo.

Já o choro cuspido é diferente.
Vem lá de dentro, tirando todo o sal.
E te dá tanto nojo que vem numa pigarrela só
Bem na cara da etiqueta.

(sussy)

Choro cuspido vem das entranhas nervosas. E vem em onda, com sabor de maresia.A crista é alta, mas não se arrebenta com toda força que deveria. Faz a crista e... morre sem a graça.O choro engolido vem com uma onda descrescente, e ao contrário, se arrebenta onde nasceu.E fica guardada lá, até o vento chegar instigando a mudar o rumo.

Mesmo doendo, ela teima em se arrebentar. E faz de novo e de novo.Quem vê nunca sabe como nem porquê a onda vem tão grande. Escuta-se o barulho de longe. Mas ninguém imagina o que ela arrastou até chegar lá.Só o mar sabe. Só o mar sente a onda por inteiro.

(mariana, a paiva)

E o mar entra na onda de não ser lenço.
De ser só mar.
Muito mais água e sal que ela, a onda de lágrimas.

(sussy)

sábado, agosto 02, 2008

Sem pé nem cabeça

Essa é a história de uma menina míope. A pobrezinha não via um palmo diante do seu nariz. Isso só acontecia porque nariz ela não tinha. Seu rosto era diferente. Apenas 3 letras “O”: a de baixo só dava pra perceber que era um O quando ela fazia assim: Ó. E todos pensavam Ó quando olhavam pra ela. Era quando a menina sentia cheiro de estranheza. Mas isso é só maneira de falar. Já que ela não tinha nariz, não sentia cheiro nenhum. Nunca se perguntou por onde o ar entrava. Pelos olhos, com certeza. Não eram as janelas da alma? Mas almas não precisam de ar e sim os pulmões. E por isso ela era meio almática e por isso estava sempre com uma bombinha por perto, ufa! Quando o ar, fresco, não aparecia, a menina míope soltava uma bombinha e o ar assustado corria pra dentro. Onde será que ela havia metido seu nariz? Era aí que morava toda a desgraça: uma míope sem nariz: óculos sem suas muletas. Óculos mancos. Um perigo olhos borrados pisando em falso por aí.
Foi assim que a menina colocou lentes de vidro. E viu. Que suas janelas ganharam vitrôs. O ar tentava entrar, mas os olhos abertos estavam fechados. E, sem entender nada, ficou de fora vendo com nitidez a última crise da menina almática. Na lápide da menina, o carinho dos amigos: ela nunca meteu o nariz onde não tivesse sido chamada.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Faro do oeste

- Procura-se a Verdade, viva ou morta.
- Mas se vier morta é Mentira.
- Verdade...

domingo, julho 27, 2008

Negativo

A saudade está emoldurada na parede do meu cômodo rotina.
Um retrato que sinto sem olhar.

quinta-feira, julho 03, 2008

Ispia só

A vó vai dizê uma coisa que é pra vida toda, fia:

Bumerangue é bumerangue. Brinquedo de corda é brinquedo de corda.

Num confunde as duas coisa não que ocê há de sê filiz.