sexta-feira, setembro 05, 2008

Peso

Saudadinha de chumbo.

sábado, agosto 16, 2008

O polidor de olhos.

Não andava com flanela,
nem álcool,
nem algodão.
Não se esforçava,
nem forçava.
Era sim
um
polidor
de olhos
nato.
E,
por ironia,
sem nenhum brilho
nos seus.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Lenço furado

Quantas mãos são preciso pra segurar uma lágrima?

sopro no coração

O vento derruba as fotos da minha parede.
É o tempo que passa.

domingo, agosto 03, 2008

Cuspa!

Choro engolido desce muito mais salgado.
E arde as feridas por onde passa.
O gosto do choro engolido é sempre outro.
Por mais que o tempero seja o mesmo.

Já o choro cuspido é diferente.
Vem lá de dentro, tirando todo o sal.
E te dá tanto nojo que vem numa pigarrela só
Bem na cara da etiqueta.

(sussy)

Choro cuspido vem das entranhas nervosas. E vem em onda, com sabor de maresia.A crista é alta, mas não se arrebenta com toda força que deveria. Faz a crista e... morre sem a graça.O choro engolido vem com uma onda descrescente, e ao contrário, se arrebenta onde nasceu.E fica guardada lá, até o vento chegar instigando a mudar o rumo.

Mesmo doendo, ela teima em se arrebentar. E faz de novo e de novo.Quem vê nunca sabe como nem porquê a onda vem tão grande. Escuta-se o barulho de longe. Mas ninguém imagina o que ela arrastou até chegar lá.Só o mar sabe. Só o mar sente a onda por inteiro.

(mariana, a paiva)

E o mar entra na onda de não ser lenço.
De ser só mar.
Muito mais água e sal que ela, a onda de lágrimas.

(sussy)

sábado, agosto 02, 2008

Sem pé nem cabeça

Essa é a história de uma menina míope. A pobrezinha não via um palmo diante do seu nariz. Isso só acontecia porque nariz ela não tinha. Seu rosto era diferente. Apenas 3 letras “O”: a de baixo só dava pra perceber que era um O quando ela fazia assim: Ó. E todos pensavam Ó quando olhavam pra ela. Era quando a menina sentia cheiro de estranheza. Mas isso é só maneira de falar. Já que ela não tinha nariz, não sentia cheiro nenhum. Nunca se perguntou por onde o ar entrava. Pelos olhos, com certeza. Não eram as janelas da alma? Mas almas não precisam de ar e sim os pulmões. E por isso ela era meio almática e por isso estava sempre com uma bombinha por perto, ufa! Quando o ar, fresco, não aparecia, a menina míope soltava uma bombinha e o ar assustado corria pra dentro. Onde será que ela havia metido seu nariz? Era aí que morava toda a desgraça: uma míope sem nariz: óculos sem suas muletas. Óculos mancos. Um perigo olhos borrados pisando em falso por aí.
Foi assim que a menina colocou lentes de vidro. E viu. Que suas janelas ganharam vitrôs. O ar tentava entrar, mas os olhos abertos estavam fechados. E, sem entender nada, ficou de fora vendo com nitidez a última crise da menina almática. Na lápide da menina, o carinho dos amigos: ela nunca meteu o nariz onde não tivesse sido chamada.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Faro do oeste

- Procura-se a Verdade, viva ou morta.
- Mas se vier morta é Mentira.
- Verdade...