quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Romance

Com a discrição do seu tamanho 8, arialzinho básico, ele chegou de mansinho. Começou tranqüilo, como em toda história, mas a cada linha foi ficando mais complicado. Já não nos entendíamos e as reticências vieram seguidas por uma pausa. As exclamações tornaram-se interrogações cada vez mais inquiridoras.
E eu que havia estudado direitinho a gramática, que não deixava nenhum pingo fora do “i” e que achava que entendia sua semântica, estava, depois de tantas páginas, sem nenhuma linha de raciocínio. Ele ainda usou alguns argumentos. Tentou me convencer com citações, latim, negrito e até itálico. Mas era tarde demais. Eu já tinha colocado um ponto final naquela história.
Jurei nunca mais cair nas letras de outro. Mas ainda assim, não saía de casa sem polir meus óculos de leitura. O tempo passou, breve como uma vírgula errada separando-me do meu verbo intransitivo. E, sem querer, meus olhos se depararam com um novo arranjo de letras. Eu já conhecia sua fama de conquistador. Sabia que ele era daqueles que arrastavam multidões aos pés de suas páginas. E como conquistador que era, dispensou o prefácio e me lançou um travessão atrevido, acompanhado por uma letra maiúscula cheia de charme no alto do seu tamanho 14. Nada do costumeiro arial black, trajava um modelito moderno, cheio de serifas. E itou-me logo com uma interrogação. Antes que minha exclamação viesse, meus olhos já corriam por ele e já havíamos passado da introdução. Foi uma história breve e acabou sem grandes surpresas. Mas eu gostei, e parti logo em busca do volume dois.
Ah livros! Que bom que vocês não são todos iguais.